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A Casa e o “Museu de Artes Decorativas”

Venha conhecer as estórias e as memórias da Casa Manuel Espregueira e Oliveira, a História de Viana do Castelo, e não perca a oportunidade de ver uma coleção de artes decorativas de qualidade única a nível nacional.
Para além do protagonismo dos trajetos profissionais e políticos do Doutor Luiz Augusto de Oliveira e do seu filho Manuel Espregueira e Oliveira, ambos são figuras incontornáveis da História da cidade pela generosidade e altruísmo com que intervieram socialmente e pelo espólio que ambos doaram ao Município de Viana do Castelo.


  • “… No andar superior está o Museu Regional , particularmente valioso pelas suas colecções de cerâmica… A sua fundação deve-se principalmente ao coleccionador vianense Dr. Luis Augusto de Oliveira, seu primeiro director, que, ainda em vida, ofereceu ao Município numerosas peças das suas colecções de cerâmica. O filho … Manuel Espregueira de Oliveira, concluiu essa rara isenção, doando à Cidade tudo o que recebera e possuía. É uma das mais relevantes expressões de gratuidade que se contam nos anais da velha província, tão empobrecida pela desregrada mercância e traficância de antiguidades ”
    (AA.VV., 1996, in “Guia de Portugal, IV. Entre Douro e Minho, II. Minho”, Fundação Calouste Gulbenkian)

    “… respeitando a memória, sempre venerada, do meu saudoso pai, inteligente crítico de arte e incansável coleccionador de objectos de arte antiga, deixo (…) as colecções de arte antiga que a referida casa encerra ao futuro e já previsto novo Museu Municipal de Viana do Castelo, como cooperação para a organização de uma moradia fidalga, do século dezoito, com todo o fausto da época, valorizando-se assim a cidade que é de todos nós e que tão querida foi dos meus antepassados …”
    (Testamento de Manuel Espregueira e Oliveira, 1949)

Manuel Espregueira e Oliveira honrou deste modo, em testamento de 1949, a memória e o trajeto de vida do seu pai, Luiz Augusto de Oliveira, doando à cidade de Viana do Castelo todo o espólio existente naquela que foi a residência da família desde 1900.
A coleção, composta por mais de 800 peças de loiça, 27 pinturas (óleos e aguarelas), 75 desenhos (dos mestres Pedro Alexandrino, Vieira Portuense, Domingos Sequeira e de outros mestres franceses), 100 peças de mobiliário (incluindo contadores, mesas indo-portuguesas e peças dos séculos XVII e XVIII) e 42 outras peças (cruzes processionais, pequenas caixas e baixos relevos com motivos religiosos), integrou o “Museu Regional” em 1954, rebatizado em 1961 de “Museu Municipal”.
Para além destas, já estavam no Museu muitas outras peças doadas por Luiz Augusto de Oliveira, numa sala batizada com o seu nome.
Este espólio, de valor incalculável, ainda hoje está instalado no mesmo edifício, renovado em 2014, no “Museu de Artes Decorativas”, localizado a 160 metros da CMEO.
Para além da reconhecida qualidade do mesmo, é também a maior doação alguma vez feita para um museu municipal em Portugal. Representa cerca de 80% do acervo total.

 

“… Foi, portanto, interesse científico de Luiz Augusto de Oliveira e a generosidade e o espírito altruísta do seu filho… que permitiram a formação em Viana do Castelo de um museu com uma das melhores colecções de faiança portuguesa (especialmente da fábrica de Viana) e de artes decorativas. Este gesto constituiu, muito provavelmente, a maior oferta feita em Portugal a um Museu Municipal, que hoje se cifraria em vários milhões de euros e que faz de Luiz Augusto de Oliveira, enquanto coleccionador e de Manuel Espregueira e Oliveira, enquanto doador, os maiores mecenas de um Museu Municipal em Portugal.”

(BOTELHO, João Alpuim, 2007, “Luiz Augusto de Oliveira e o Museu de Viana do Castelo”, Cadernos Vianenses Tomo 40)

Dado o privilégio de usufruirmos, em conjunto com a Cidade de Viana do Castelo, deste património material e imaterial que são a arquitectura, a colecção de artes decorativas, as memórias, os valores e as atitudes ao longo da vida, a Casa Manuel Espregueira e Oliveira – Turismo de Habitação assume a incontornável responsabilidade de honrar a memória e o legado destes dois ilustres vianenses, procurando promover a sua melhor recolha, preservação e divulgação.